Terça, 09 Maio 2017 16:59

“Com Santa Rita de Cássia, vivamos o Magnificat”

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Com Santa Rita de Cássia, vivamos o Magnificat

Por Carlos Alberto Leite Santos, SDB

Este ano, o tema da Festa de Santa Rita de Cássia está em sintonia com o Ano Santo Mariano, particularmente celebrado pela Igreja, aqui no Brasil, por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha da Nação brasileira: Como filhos de Maria Santíssima e devotos de Santa Rita queremos viver o Magnificat fazendo memória da ação salvadora de Deus em nossa história.

Em nove dias de preparação para a solene Festa de Santa Rita de Cássia, em 22 de maio, o que podemos destacar no Cântico de Maria que nos sirva de alimento espiritual para seguirmos a jornada da vida rumo à Pátria celeste?

 Comecemos pela alegria de Maria, que em sua pequenez, reconhece a grandeza do Deus salvador em sua vida e na vida do povo: É Deus quem olha para a humilhação de sua serva e a exalta, a fim de que todas as gerações, contemplando Nela as maravilhas do Criador a proclamem bem-aventurada (Cf. Lc. 1, 46-48).

É neste Deus que nós cremos! Com olhar de ternura, o Pai das misericórdias olha para cada um de nós, sonda os nossos pensamentos e, se encontra abertura, entra em nossos corações para nos tornar totalmente seus.

Santa Rita de Cássia é também para nós exemplo de humildade pela vida simples e despojada que escolheu, como uma das formas mais sublimes de associar-se a Cristo crucificado: Que a humildade seja uma virtude constante em nossas relações com Deus e com o próximo.

O versículo 49 do Magnificat foi escolhido como a principal motivação para o novenário que celebraremos: “O Senhor fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome”. Maria de Nazaré é a mulher da gratidão; a serva que se volta para o Todo-poderoso e reconhece que Ele age na história em favor dos seus filhos e filhas, manifestando a sua santidade em tudo que faz.

Caros devotos de Santa Rita de Cássia; também esta mulher, apesar dos sofrimentos, não foi grata a Deus pelos dons recebidos? Diante das provações, ela não endureceu o coração, por isso, viveu nesta vida fazendo o bem, como prova de um coração livre para amar e servir a Jesus Cristo presente nos irmãos e irmãs, especialmente nos mais necessitados. É próprio de quem se sente amado por Deus viver a gratidão: Você costuma agradecer pelos favores que lhe prestam? A generosidade faz parte das suas práticas cotidianas?

O Magnificat é o Cântico da Misericórdia do verdadeiro Deus, que se compadeceu da miséria humana, por isso, num querer livre e sem igual quis fazer-se verdadeiramente humano, com o nome de Misericórdia, como bem afirmou o Papa Francisco.

O que mais justifica, para nós, a manifestação de Deus em nossas vidas senão a sua misericórdia que vem em socorro de nossas misérias? Num movimento contrário ao pensamento do mundo, aquilo que nos deveria afastar do Criador foi o que nos aproximou dele, em Jesus Cristo. Por tanto nos amar, morreu na cruz; ele não quer perder nenhum de nós.

Na fronte de Santa Rita de Cássia encontramos um espinho: Trata-se de um estigma, que revela o quanto ela se identificou com a Paixão de nosso Senhor Jesus, caminho seguro para quem deseja tornar-se misericordioso na família, no trabalho, na escola, na comunidade e onde mais estiver. Que o novenário deste ano, fique na memória como os dias de misericórdia, que se estenderão por toda a vida.

Na metade do Cântico de Maria encontramos a expressão “coração orgulhoso” (Lc 1, 51b). Orgulhoso é alguém que não teme a Deus, que não reconhece a dignidade dos outros, domina com braço de ferro, mas na verdade não passa de um fraco.

Toda a vida de Jesus foi uma oposição aos orgulhosos; isso ele fez sem deixar de lado o mandamento do amor. E, Santa Rita olhando para o Senhor na cruz, superou toda a arrogância do esposo e dos inimigos que a maltratavam, deixando para nós uma bela lição: Quem deseja vencer os orgulhosos, primeiro, com confiança, volte o seu olhar para Cristo e, segundo, não combata o mal com o mal.

No Magnificat, Maria cantou quem é o Messias: “Ele é forte e humilde” (Cf. Lc 1, 52). A força de Jesus foi a sua mansidão, que confundiu os poderosos e revelou-se aos pequenos. A mansidão é, de fato, um exercício exigente, quando somos afrontados; mas, lembremos que é um dos frutos do Espírito Santo, que devemos pedir com insistência, até que passe o tempo da tribulação.

Toda a pregação de Jesus está centralizada no Reino de Deus que será exercido na justiça e no direito, retomando as palavras do profeta Isaias 32,1. Também no Magnificat o acúmulo de riquezas e o desprezo aos famintos são denunciados. Se entendermos a riqueza como um mal, estaremos equivocados; porém, se aceitarmos a injustiça, pecaremos gravemente: A justiça é que não se tenha muitos sem nada e poucos com tanto.

Ao longo do tempo, Santa Rita de Cássia ganhou o título de Santa dos impossíveis, por interceder a Deus em favor dos pobres, dos endividados, das mães angustiadas, das mulheres violentadas e dos aflitos.

Numerosos testemunhos são dados pelos devotos de Santa Rita que, talvez despercebidos, estão provando que a Palavra de Deus é atual: “Socorreu Israel [seu povo], seu servo, lembrado de sua misericórdia!” (Lc 1, 54).

Maria Santíssima encerra o belo cântico exaltando a fidelidade de Deus, que é para sempre. Assim, devemos cantar, como membros vivos da Igreja de Cristo. Somos peregrinos da esperança, rumo ao Reino prometido por Jesus, que levou Santa Rita de Cássia e tantos outros santos a permanecerem fiéis ao Senhor. E se um dia alguém nos perguntar: “Quando este Cântico se calará?” Diremos numa só voz, na voz do Espírito: “Quando o Reino de Deus acontecer!

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