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Cidade do Vaticano (RV) - Jesus, antes da Paixão, reza pela “unidade dos fiéis, das comunidades cristãs” para que sejam uma só coisa como Ele e o Pai, a fim de que o mundo creia”. Com estas palavras do Evangelho do dia, o Papa Francisco iniciou a homilia da missa celebrada nesta quinta-feira, (12/05), na Casa Santa Marta.

“A unidade das comunidades cristãs, das famílias cristãs são testemunho: são o testemunho do fato de o Pai ter enviado Jesus. Talvez, chegar à unidade numa comunidade cristã, numa paróquia, numa diocese, numa instituição cristã e numa família cristã, seja uma das coisas mais difíceis. A nossa história, a história da Igreja, nos envergonha muitas vezes, pois provocamos guerra contra os nossos irmãos cristãos! Pensemos numa, na Guerra dos Trinta Anos.”

Onde “os cristãos incitam guerra entre eles”, afirma o Papa Francisco, ali “não há testemunho”:

 

Pedir perdão

“Devemos pedir perdão ao Senhor por esta história! Uma história muitas vezes de divisões, não somente no passado, mas também hoje! O mundo vê que estamos divididos e diz: ‘Mas que entrem num acordo, depois vamos ver. Jesus ressuscitou e está vivo e estes seus discípulos não estão de acordo? Uma vez, um cristão católico disse a outro cristão do Oriente, também católico: ‘O meu Cristo ressuscita depois de amanhã. E o seu quando ressuscita?’ Não somos unidos nem mesmo na Páscoa! Isso no mundo inteiro, e o mundo não crê”.

“Foi a inveja do diabo”, explicou o Papa, que fez entrar o pecado no mundo”: assim, também nas comunidades cristãs “é quase habitual” que haja egoísmo, ciúmes, invejas e divisões. Isto leva a falar mal um do outro. Falamos muito mal dos outros! Na Argentina, estas pessoas são chamadas de fofoqueiras: semeiam discórdia, dividem. E ali as divisões começam com a língua, por causa da inveja, ciúmes e também fechamento!

 

"Moder a língua"

A língua é capaz de destruir uma família, uma comunidade, uma sociedade. É capaz de semear ódio e guerras”, disse o Papa. Ao invés de procurar esclarecer, “é mais cômodo falar mal” e destruir “a fama do outro”. O Papa citou a anedota conhecida de São Filipe Neri que, a uma mulher que tinha falado mal, deu como penitência depenar uma galinha e espalhar suas penas pelo bairro para depois recolhê-las. “Mas não é possível!”, exclamou a mulher. Assim, é o falar mal: 

“O falar mal é assim: suja o outro. Aquele que fala mal, suja! Destrói! Destrói a fama, destrói a vida e muitas vezes, várias vezes!, sem motivo contra a verdade. Jesus rezou por nós, por todos nós que estamos aqui e por nossas comunidades, por nossas paróquias, por nossas dioceses: ‘Que sejam um’.

Peçamos ao Senhor que nos dê a graça, pois a força do diabo, do pecado que nos impulsiona a criar desunião, é muito grande. Que Ele nos dê a graça, que nos dê o dom. Qual é o dom que faz a unidade? O Espírito Santo! Que Ele nos dê este dom que cria harmonia, porque Ele é a harmonia, a alegria em nossas comunidades. Que Ele nos dê a paz, porém com a unidade. Peçamos a graça da unidade para todos os cristãos, a grande graça e a pequena graça de todos os dias para as nossas comunidades, as nossas famílias, e a graça de morder a língua!”

(MJ)

(from Vatican Radio)

Encerrou-se na manhã desta sexta-feira, 5 de maio, a 55a. Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O encontro foi realizado no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida, situado no pátio do Santuário Nacional da Padroeira do Brasil, em Aparecida (SP). Na cerimônia de encerramento, os bispos realizaram uma breve oração de ação de graças pelos trabalhos realizados durante os dez dias que permaneceram reunidos convivendo, estudando, debatendo e rezando pela Igreja.

Eram mais de 370 membros da Conferência na reunião: cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, bispos prelados, bispos auxiliares e coadjutores. Além desses bispos, estiveram presentes mais de 50 bispos eméritos, isto é, aqueles que já renunciaram ao governo de Igrejas Particulares e se encontram num tempo fértil de descanso e em  trabalhos diferentes. No encontro, os bispos contaram com a ajuda de grande equipe de colaboradores formada por assessores das comissões episcopais, funcionários e a equipe de serviços do Centro de Eventos.

Uma série de empresas do ramo de livros, imagens e vestes religiosas ocuparam uma área especial na qual era possível circular nos intervalos da assembleia. Neste espaço, foram apresentadas as últimas publicações das Edições CNBB.

Cobertura da Mídia

Na ala de recepção do local onde foi realizada a 55a. Assembleia Geral, estava a sala de Assessoria de Imprensa da CNBB que contou com a presença permanente de três jornalistas, um fotógrafo e um facilitador da comunicação entre os profissionais e os bispos em plenário. Neste lugar também foram distribuídas credenciais e era a referência para todo tipo de informação a respeito do encontro.

Numa sala exclusiva, servida de café e biscoitos, os jornalistas credenciados puderam realizar seus trabalhos contando com internet cabeada e instalações apropriadas. Todos os dias da semana, participaram de dois momentos nos quais poderiam suprir a busca de informações: a Entrevista Coletiva sempre contava com 4 bispos. O presidente da Comissão para Comunicação conduzia o encontro e três bispos escalados pela presidência respondiam a todos os questionamentos dos jornalistas a respeito da Assembleia e de temas variados da vida da Igreja. Um outro momento, mais informal e não oficial, foi o “Meeting Point”, pela primeira vez experimentado, no qual se convidava um bispo para tratar de algum assunto importante e que não fazia parte da grade oficial do encontro.

Várias equipes de emissoras de TV inspiração católica fizeram cobertura permanente: Rede Aparecida, Rede Vida, Canção Nova, Século 21 e Rede Milícia. Várias emissoras de Rádio se fizeram presente, entre elas estava a Rádio 9 de Julho, de São Paulo que manteve uma equipe constante. Dois jornais, entre outros, fizeram uma ampla cobertura: “Jornal Santuário”, de Aparecida e Jornal “O São Paulo”, da arquidiocese de São Paulo.

Ainda estiveram presentes em algum momento ou fizeram entrevista pelo telefone grandes veículos da Mídia Nacional: Rede Globo, Bandeirantes, SBT, Jornais Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo, este último com presença em toda a primeira semana da Assembleia com o repórter José Maria Mayrink.

A parceria da CNBB com o portal a12.com de Aparecida foi um dos pontos relevantes no trabalho de cobertura jornalística da Assembleia. Diariamente, o portal transmitiu as Entrevistas Coletivas e o “Meeting Point”. “Este tipo de serviço foi de extrema importância para nosso Plano de Comunicação da CNBB porque, com a transmissão do a12.com chegávamos às redações de todos os veículos de comunicação interessados no encontro dos bispos”, diz Pe. Rafael Vieira, coordenador da Assessoria de Imprensa da CNBB.

Temário

O tema central da Assembleia, “Iniciação à Vida Cristã”, foi trabalhado em diversas sessões do encontro. Contou com estudos de grupos e plenários que, no final, votou e aprovou um texto final para ajudar as dioceses e comunidades na caminhada de constante renovação da iniciação à vida cristã de crianças, jovens e adultos.

Outros temas também receberam atenção particular dos bispos, entre eles estão: “Projeto Comunhão e Partilha”, iniciativa que completou 5 anos e é a expressão da solidariedade financeira para com dioceses pobres, principalmente para ajudar na formação do clero; “Pensando o Brasil”, um movimento que tem reunido estudos dos bispos em relação a diversas realidades sociais brasileiras. Este ano, o trabalho foi voltado para a Educação; “Celebração da Palavra de Deus”, um documento para animar comunidades que não podem ter a celebração da Eucaristia em várias partes do Brasil; “Ministros da Palavra”, ligado ao tema anterior, este documento analisado pelos bispos servirá de ajuda para a formação de pessoas que se capacitam para a pregação; “Novas formas de consagração e Novas Comunidades” também foi tema estudado pelos bispos.

Atividades

Os bispos tiveram quatro sessões privativas, numa delas contaram com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giovanni D´Aniello. Todos os dias, no começo da manhã, as 7h30, os bispos celebraram a Eucaristia no Santuário Nacional e no final de semana, dias 29 e 30 de aabril, participaram de um Retiro Espiritual pregado pelo monge trapista, dom Bernardo Bonowitz. A liturgia das horas foi celebrada, todos os dias, no plenário da Assembleia contando sempre com a ajuda do jesuíta, Ir. Fernando Benedito Vieira, da assessoria para a Música Litúrgica da CNBB.

O ritmo dos trabalhos foi bastante intenso e os bispos ainda faziam deslocamentos longos, considerando o movimento da ida para a missa e para ao almoço, entre o hotel Rainha do Brasil, onde a maioria esteve hospedada, o Santuário Nacional e o Centro de Eventos. Uma quantidade significativa enfrentou esses trajetos à pé. As atividades começavam  muito cedo e terminavam somente depois das 20h, além dos pequenos grupos que se reuniam depois do jantar como foi o caso daquele formado pelos membros do Consep que se encontrava quase todos os dias. O único tempo de descanso foi a tarde do domingo, dia 30 de abril. 

Com informações site da CNBB

O bispo de Bragança Paulista, SP, e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia do Regional Sul 1, dom Sérgio Colombo divulgou nota de pesar pela morte da irmã Miria Teresinha Kolling (foto), ocorrida na tarde desta sexta-feira, 5 de maio.

Por meio da nota, Dom Sérgio ressaltou que a irmã  “contribuiu e edificou certamente muitas comunidades eclesiais ajudando tantos irmãos e irmãs a celebrar com alegria o Mistério Pascal.”. “Nossa solidariedade a Irmã Marlise Hendges, diretora geral da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Jesus.”, conclui o texto da nota.

Leia a íntegra da nota de pesar:
A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia do Regional Sul 1 manifesta seu pesar pelo falecimento da Irmã Miria Teresinha Kolling, da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.

Sua contribuição musical edificou certamente muitas comunidades eclesiais ajudando tantos irmãos e irmãs a celebrar com alegria o Mistério Pascal.

Nossa solidariedade a Irmã Marlise Hendges, diretora geral da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Jesus.

No Cristo Ressuscitado,

Dom Sérgio Colombo
Bispo Referencial para a Liturgia

Padre Kleber Rodrigues da Silva
Coordenador da Comissão

 

Fonte: CNBB - Regional Sul

Jogos virtuais continuam a causar choque entre gerações.

Nesta novela o medo é contínuo, os jovens ficam cada vez mais presos à tela e os pais e profissionais sempre mais preocupados com qual destino os jogos levarão seus filhos.

Embora ainda seja um campo em processo de colonização, o mundo virtual está cada vez mais inteirado em nosso cotidiano. Apesar de o significado de virtual demonstrar a ausência de realidade, o mercado vem se preocupando em vender um produto que aproxime o consumidor de outra realidade criada no meio virtual, e no mundo dos jogos, parece funcionar muito bem.

O mercado de games cresce com velocidade pelo mundo, de acordo com pesquisas do ano de 2016, a China tornou-se o maior consumidor da indústria, ultrapassando a potência dos EUA. O Brasil encontra-se em 12º lugar nesse ranking, quase ultrapassando a Rússia. As pesquisas também demonstram que o queridinho dos gamers é a plataformaPC, 87% dos usuários preferem essa base para jogar, a indústria mobile também ganha espaço entre esse público.

Além de entretenimento, esses jogos também podem servir como catalisadores na educação das crianças. Jogos como O Planeta dos Pirralhos, Guerra ao Mosquito e Mestre da Tabuada são exemplos dessa interatividade do entretenimento virtuale a educação. Apesar desses inúmeros prós, existe um contra que assusta há muito tempo desde os pais dentro de casa até psicólogos e nutricionistas. O excesso de games e mundo virtual na vida dos jovens.

Tornou-se comum a expressão “fulano não sai do computador... Ou vídeo game... Ou internet”, por mais que isso possa parecer divertido, são necessários alguns cuidados. Todo excesso é perigoso. O vício em jogos não é piada, é também uma doença e pode causar sérias consequências.

De acordo com a psicóloga Dora Goés, a tecnologia prende a atenção a ponto de esquecermos o fator tempo, além de ser uma realidade que nos afasta da nossa.

Esse vício pode resultar em doenças de natureza física. Com o tempo empregadonesses jogos, os gamers preferem comidas que possam ser consumidas rapidamente ou que não ocupem muito as mãos e que aumentem sua energia, como salgadinhos, refrigerantes e lanches. Assim problemas como a obesidade, diabetes, LER ou síndrome do WASD acontecem.

Além dessas doenças de natureza física, os psicólogos e psiquiatras fazem um alerta ao isolamento social que pode ocorrer entre os jogadores que optam por ficar em casa a sair. Doenças como transtorno de ansiedade, transtorno de personalidade, transtorno bipolar do humor, TOC e depressão, podem surgir desse quadro. A consequência mais extrema e que infelizmente vem crescendo por esses distúrbios, é o suicídio. Alguns jogos, inclusive, incentivam essa ação.

O famoso Baleia Azul, é um jogo que exemplifica essa triste prática. O jogo já existe há alguns anos, e consiste em 50 desafios propostos por redes sociais aos jogadores, entre esses desafios estão: assistir filmes de terror, ouvir músicas psicodélicas por horas, cortar-se, arriscar-se em lugares altos e por fim, se matar.

O jogo foi criado na Rússia, e faz sucesso na Europa, embora já tenha viralizado e chegado ao Brasil, fazendo vítimas nos estados da Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Eduardo Prates, 17, estudante, é um jogador de plataforma, MOBA e FPS. Para ele, jogos são maneiras de socialização e também, fuga da realidade. Essa fuga pode ser perigosa, mas, de acordo com o mesmo, isso não é culpa dos games, mas sim do gamer.

“Jogos não atrapalham minha vida, seja ela espiritual, ou acadêmica. Sou eu que busco esses jogos, e tenho discernimento do que me atrapalha ou não. Games são entretenimento, por isso não considero casos como Baleia Azul um jogo, mas sim uma linha de desafios que tem por um maligno objetivo, atender desejos que são frutos de perturbações psicológicas”.

Segundo Eduardo, o acompanhamento dos pais, amigos, parentes é importante, mas o espaço do jogador e sua privacidade tem de ser respeitada. Para ele, jogos são puramente entretenimento ou educação, dando a oportunidade de escapar um pouco do mundo, o jogador, no entanto, deve ter consciência disso e saber discernir um game da verdade.

Por: Daniela Spera

Terça, 09 Maio 2017 16:59

“Com Santa Rita de Cássia, vivamos o Magnificat”

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Com Santa Rita de Cássia, vivamos o Magnificat

Por Carlos Alberto Leite Santos, SDB

Este ano, o tema da Festa de Santa Rita de Cássia está em sintonia com o Ano Santo Mariano, particularmente celebrado pela Igreja, aqui no Brasil, por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha da Nação brasileira: Como filhos de Maria Santíssima e devotos de Santa Rita queremos viver o Magnificat fazendo memória da ação salvadora de Deus em nossa história.

Em nove dias de preparação para a solene Festa de Santa Rita de Cássia, em 22 de maio, o que podemos destacar no Cântico de Maria que nos sirva de alimento espiritual para seguirmos a jornada da vida rumo à Pátria celeste?

 Comecemos pela alegria de Maria, que em sua pequenez, reconhece a grandeza do Deus salvador em sua vida e na vida do povo: É Deus quem olha para a humilhação de sua serva e a exalta, a fim de que todas as gerações, contemplando Nela as maravilhas do Criador a proclamem bem-aventurada (Cf. Lc. 1, 46-48).

É neste Deus que nós cremos! Com olhar de ternura, o Pai das misericórdias olha para cada um de nós, sonda os nossos pensamentos e, se encontra abertura, entra em nossos corações para nos tornar totalmente seus.

Santa Rita de Cássia é também para nós exemplo de humildade pela vida simples e despojada que escolheu, como uma das formas mais sublimes de associar-se a Cristo crucificado: Que a humildade seja uma virtude constante em nossas relações com Deus e com o próximo.

O versículo 49 do Magnificat foi escolhido como a principal motivação para o novenário que celebraremos: “O Senhor fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome”. Maria de Nazaré é a mulher da gratidão; a serva que se volta para o Todo-poderoso e reconhece que Ele age na história em favor dos seus filhos e filhas, manifestando a sua santidade em tudo que faz.

Caros devotos de Santa Rita de Cássia; também esta mulher, apesar dos sofrimentos, não foi grata a Deus pelos dons recebidos? Diante das provações, ela não endureceu o coração, por isso, viveu nesta vida fazendo o bem, como prova de um coração livre para amar e servir a Jesus Cristo presente nos irmãos e irmãs, especialmente nos mais necessitados. É próprio de quem se sente amado por Deus viver a gratidão: Você costuma agradecer pelos favores que lhe prestam? A generosidade faz parte das suas práticas cotidianas?

O Magnificat é o Cântico da Misericórdia do verdadeiro Deus, que se compadeceu da miséria humana, por isso, num querer livre e sem igual quis fazer-se verdadeiramente humano, com o nome de Misericórdia, como bem afirmou o Papa Francisco.

O que mais justifica, para nós, a manifestação de Deus em nossas vidas senão a sua misericórdia que vem em socorro de nossas misérias? Num movimento contrário ao pensamento do mundo, aquilo que nos deveria afastar do Criador foi o que nos aproximou dele, em Jesus Cristo. Por tanto nos amar, morreu na cruz; ele não quer perder nenhum de nós.

Na fronte de Santa Rita de Cássia encontramos um espinho: Trata-se de um estigma, que revela o quanto ela se identificou com a Paixão de nosso Senhor Jesus, caminho seguro para quem deseja tornar-se misericordioso na família, no trabalho, na escola, na comunidade e onde mais estiver. Que o novenário deste ano, fique na memória como os dias de misericórdia, que se estenderão por toda a vida.

Na metade do Cântico de Maria encontramos a expressão “coração orgulhoso” (Lc 1, 51b). Orgulhoso é alguém que não teme a Deus, que não reconhece a dignidade dos outros, domina com braço de ferro, mas na verdade não passa de um fraco.

Toda a vida de Jesus foi uma oposição aos orgulhosos; isso ele fez sem deixar de lado o mandamento do amor. E, Santa Rita olhando para o Senhor na cruz, superou toda a arrogância do esposo e dos inimigos que a maltratavam, deixando para nós uma bela lição: Quem deseja vencer os orgulhosos, primeiro, com confiança, volte o seu olhar para Cristo e, segundo, não combata o mal com o mal.

No Magnificat, Maria cantou quem é o Messias: “Ele é forte e humilde” (Cf. Lc 1, 52). A força de Jesus foi a sua mansidão, que confundiu os poderosos e revelou-se aos pequenos. A mansidão é, de fato, um exercício exigente, quando somos afrontados; mas, lembremos que é um dos frutos do Espírito Santo, que devemos pedir com insistência, até que passe o tempo da tribulação.

Toda a pregação de Jesus está centralizada no Reino de Deus que será exercido na justiça e no direito, retomando as palavras do profeta Isaias 32,1. Também no Magnificat o acúmulo de riquezas e o desprezo aos famintos são denunciados. Se entendermos a riqueza como um mal, estaremos equivocados; porém, se aceitarmos a injustiça, pecaremos gravemente: A justiça é que não se tenha muitos sem nada e poucos com tanto.

Ao longo do tempo, Santa Rita de Cássia ganhou o título de Santa dos impossíveis, por interceder a Deus em favor dos pobres, dos endividados, das mães angustiadas, das mulheres violentadas e dos aflitos.

Numerosos testemunhos são dados pelos devotos de Santa Rita que, talvez despercebidos, estão provando que a Palavra de Deus é atual: “Socorreu Israel [seu povo], seu servo, lembrado de sua misericórdia!” (Lc 1, 54).

Maria Santíssima encerra o belo cântico exaltando a fidelidade de Deus, que é para sempre. Assim, devemos cantar, como membros vivos da Igreja de Cristo. Somos peregrinos da esperança, rumo ao Reino prometido por Jesus, que levou Santa Rita de Cássia e tantos outros santos a permanecerem fiéis ao Senhor. E se um dia alguém nos perguntar: “Quando este Cântico se calará?” Diremos numa só voz, na voz do Espírito: “Quando o Reino de Deus acontecer!

Quarta, 22 Março 2017 18:38

A carne é fraca.

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A carne é fraca

Por Cardeal Odilo Pedro Scherer,Arcebispo metropolitano de São Paulo

Na semana que passou, foi deflagrada mais uma operação da Polícia Federal, com o nome enigmático de “Operação Carne Fraca”. A alusão às palavras de Jesus aos discípulos, no início dos sofrimentos de sua paixão, é facilmente perceptível: “vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14,38). E tem o efeito de um alerta nada insignificante!

A operação da Polícia Federal denunciou um esquema de corrupção muito preocupante no setor de fiscalização da produção de carnes em alguns frigoríficos e estabelecimentos de produção e transformação de alimentos no Brasil. A questão levantada é especialmente grave, uma vez que envolveu um setor delicado da economia, da saúde pública e da credibilidade da produção da carne, um dos produtos brasileiros mais importantes no mercado externo e interno e um dos filões mais importantes da economia brasileira.

Embora o número de pessoas responsáveis e de unidades de produção envolvidas provavelmente tenha sido bastante restrito e localizado, as consequências do problema revelado podem ser muito graves e devastadoras para a economia. Vai de embrulho a credibilidade de todo um sistema de produção e de fiscalização, onde todos pagam pela desonestidade de alguns. O dano moral e econômico pode ser altíssimo! Resta esperar que tudo seja esclarecido, de maneira eficaz, pelas autoridades responsáveis; e a população possa continuar segura daquilo que consome e confiante no serviço de vigilância dos profissionais, que têm esse dever.

O nome da operação “carne fraca”, porém, sugere ir mais a fundo na avaliação desse escândalo. Jesus recomenda a vigilância e a oração a seus apóstolos, pois “a carne é fraca”, embora o espírito pareça pronto para enfrentar os desafios e tentações que se aproximam. De fato, pouco antes dessa recomendação, Pedro havia afirmado com toda a sua instável convicção: “ainda que todos se escandalizem (de Ti), ainda que eu tenha de morrer contigo, eu não te abandonarei!” Com ele, os outros discípulos diziam o mesmo (cf. Mc 14,27-30). Sua presunção foi demasiado grande; ele, como todos os outros, menos João, abandonaram Jesus após a sua prisão; e o próprio Pedro negou conhecer o Mestre diante do medo de também ser preso.

O homem é fraco e precisa estar sempre atento e vigilante para não cair em tentação, que está sempre à espreita e pode ser muito forte, derrubando a “carne fraca”. Entre as várias tentações, estão a ganância e a busca do dinheiro fácil e desonesto. O amor ao dinheiro e às riquezas pode tornar-se uma verdadeira idolatria, levando a sacrificar qualquer coisa a esse ídolo atraente e exigente: a justiça, o respeito ao próximo, a dignidade moral e a decência, a responsabilidade social, a família e os deveres familiares, a fé em Deus, os mandamentos e tudo o que se tem como mais sagrado… O amor ao dinheiro, ao poder e às vaidades pode levar à corrupção vergonhosa e repugnante em que o Brasil está mergulhado; é uma idolatria sutil e feroz, que destrói a dignidade e faz esconder o rosto de vergonha, se ainda resta algo de dignidade a salvar… Não é sem razão que o Papa Francisco escreveu que a corrupção cheira mal…

As consequências sociais e econômicas da corrupção são enormes: com o bem público ou privado que é desviado desonestamente, deixam de ser proporcionados benefícios sociais em educação, saúde, moradia e saneamento básico, entre outros benefícios… E os efeitos devastadores da corrupção pesam mais sobre os pobres e aqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica. Por isso, a corrupção também é uma tremenda injustiça e demonstração de egoísmo e falta de senso de solidariedade. Quem se beneficia com o fruto da corrupção faz muitos pagarem o preço de sua desonestidade!

Jesus alertou que “a carne é fraca” e recomendou a vigilância e a oração, para não cair em tentação. Estamos todos expostos às fraquezas da condição humana; mas para não cedermos à corrupção, é preciso ter convicções firmes a respeito da dignidade, da justiça e da moralidade de nossas decisões e ações. Uma cultura que esvazia ou dilui os princípios éticos e morais e não os irradia na educação e na comunicação contribui para as fraquezas da carne.

Devemos ser honestos sempre; e não porque alguém poderia nos surpreender e denunciar; também não porque a polícia poderia nos prender e punir… A lei moral deve estar inscrita na consciência e nos fazer agir com retidão, sem cálculos nem descontos.

Artigo publicado no Jornal O SÃO PAULO – Edição 3143 – De 22 a 28 de março de 2017

Irmãos e Irmãs!

A Igreja inicia o Ciclo Pascal que tem  o Tríduo Pascal como centro, a Quaresma como preparação e o Tempo Pascal como prolongamento. Com a Campanha da Fraternidade (CF) este ano em continuação ao tema do ano passado – “Casa comum, nossa responsabilidade”, a Quaresma torna-se um tempo propício para criar a cultura da fraternidade, apontando os caminhos para superar as situações de morte que envolvem o ser humano e o universo todo, resgatando o cuidado e a admiração como parte integrante da vida em suas múltiplas direções.

Ela nos convida ainda a um tempo de deserto, para a luz do Espírito fazer a experiência da graça, na sobriedade e no despojamento, iluminada pela esperança que não decepciona. Retoma, como determina o objetivo da Campanha da Fraternidade de 2017, o “cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover as relações fraternas com a vida e a cultura dos povos à luz do Evangelho.

 Pode ser que alguém pense ser estranha tal proposta ou o que isso tem a ver com a Quaresma. Sintonizados com o texto base, perguntamos: como é que alguém pode celebrar a Páscoa, ou os sacramentos que o inserem no mistério de Cristo, alheio à vida da criação na qual está mergulhado e que o sustenta? (Texto Base – TB, nº 21).

Com a Campanha da Fraternidade, retomamos a proposta de “cultivar e guardar a criação” (Gn 2, 15), obra querida por Deus, harmonicamente organizada e amada por ele, onde nenhum ser existe isoladamente, mas todos estão relacionados como parte de um plano no qual, de certa forma, uns dependem dos outros, e o homem possui o papel de ser o guardião desta obra criada. 

Se a criação é obra de Deus, pertence a ele e o homem, como sua imagem e semelhança, recebeu a vocação de zelar e proteger todos os seres que dela fazem parte.

A reflexão deste ano chama atenção para os biomas brasileiros. “Um bioma é um conjunto de vida (animal e vegetal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria” (TB, nº 4). Bioma é uma expressão que vem de “bio”, que em grego quer dizer “vida”, e “oma”, sufixo também grego que significa “massa”, grupo ou estrutura de vida.

Os biomas brasileiros apresentados pela CF são seis: 

Bioma Amazônia: é o nosso maior bioma, caracterizado pela exuberância das florestas e das águas; Bioma Caatinga: é caracterizado pelo semiárido, entre a estreita faixa da mata atlântica e o cerrado com a convivência do período chuvoso e da seca; Bioma Cerrado: é o mais antigo, com uma vegetação típica de locais com estações climáticas bem definidas (uma época bem chuvosa e outra seca). Com o bioma Amazônia forma uma complementação perfeita para a produção e distribuição de água para o Brasil e parte da América do Sul; Bioma Mata Atlântica: bioma onde estamos inseridos, originalmente denso, extenso e rico de variedade animal e vegetal, além de campos de altitudes, mangues e restingas, apresentando grande poder de regeneração;  Bioma Pantanal: uma das maiores extensões úmidas e contínuas do planeta, sendo o menor bioma em extensão territorial, entretanto esse dado em nada desmerece a riqueza e a beleza de sua biodiversidade – considerado reserva biosfera e patrimônio natural mundial pela Unesco; Bioma Pampa: termo de origem indígena para região plana, sua característica principal é a vegetação que apresenta uma composição herbácea, ou seja, formada basicamente por gramíneas e espécies vegetais de pequeno porte, não ultrapassando 50 centímetros de altura. 

Os biomas mostram a unidade entre os diversos elementos da natureza que precisam ser cultivados e conservados o que implica que a vida em todos os seus aspectos seja exuberante.

A CF está em plena consonância com a Encíclica “Laudato Sí” do Papa Francisco que ressalta a “importância da consciência de que na criação tudo está interligado e sobre a necessidade imperativa de cultivar esses vínculos”.

 Quanto aos temas abordados pelo ensino social da Igreja, o da ECOLOGIA já está suficientemente consolidado (TB, nº 245). O que podemos fazer? Acompanhar o plano diretor dos municípios em relação ao saneamento básico, o que implica saúde e qualidade de vida para todos; estar atento as áreas de preservação permanente denunciando projetos imobiliários que as ameaçam; zelar pelas nascentes e rios – que eles não sejam depósitos de lixo; nas escolas, paróquias e comunidades com suas pastorais e movimentos, cultivar a dimensão do cuidado, entre outros..., o que não é algo secundário, mas essencial. 

Ensina-nos ainda o Papa que “o tempo para encontrar soluções globais está acabando. Só podemos encontrar soluções adequadas se agirmos juntos e de comum acordo. Portanto, existe um claro, definitivo e improrrogável imperativo ético de agir” (TB, nº 258). 

Que a Igreja nesta Quaresma nos ajude a ver que tudo que Deus fez é muito bom.

Fonte: CNBB

Segunda, 13 Março 2017 18:47

Mensagem do Papa para Quaresma 2017.

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Publicamos a seguir o texto integral da Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2017, sobre o tema "A Palavra é um dom. O outro é um dom"

 

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa da Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anônima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a de uma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza conosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário levar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efêmera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De fato, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De fato o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os ouçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Vaticano, 18 de outubro de 2016.

Festa do Evangelista São Lucas

Francisco

A Madre Teresa de Calcutá, uma freira que dedicou a vida a ajudar os pobres, será canonizada e vai se tornar santa da Igreja Católica em uma cerimônia em 4 de setembro, anunciou o papa Francisco nesta terça-feira (15).

O papa fez o anúncio durante um encontro de cardeais voltado a dar a aprovação final para diversos casos de canonização.

Francisco abriu caminho em dezembro do ano passado para a canonização de Madre Teresa, ganhadora do Nobel da Paz que morreu em 1997, aos 87 anos.

Domingo, 13 Março 2016 04:18

Nota de Solidariedade.

Escrito por

Nota de Solidariedade ao povo e às autoridades de Mairiporã, Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato e demais cidades da Diocese.

         Dom Sérgio Aparecido Colombo e a Diocese de Bragança Paulista, solidarizam-se com as vitimas das ultimas chuvas que assolaram grande parte dessas comunidades, exortando-as a firmeza na fé, confiança e certeza da comunhão de todos para superar esse momento de sofrimento.

         Nesse tempo da Quaresma, em que vivemos a Campanha da Fraternidade com o tema “Casa Comum, nossa reponsabilidade”, nosso apelo torna-se ainda mais veemente, para que os responsáveis busquem soluções definitivas, capazes de evitar, o quanto possível, a ocorrência de tragédias como as do momento.

Oportuno é o apelo para o saneamento básico que pede, nessa ocorrência, solução para o escoamento das águas pluviais, costumeiramente complicados nos períodos de maior volume de chuva.            

Lembramos ainda, conforme a proposta da Campanha da Fraternidade, que as ações de saneamento básico são serviços essenciais, direito social do cidadão e dever do Estado. A comunhão entre as comunidades cristãs colaborarão com certeza, para que o sofrimento presente seja minorado e a alegria e a esperança sejam retomadas.

Exorto, como Bispo Diocesano, a todas as comunidades católicas para que se mobilizem para o exercício da caridade cristã e da solidariedade humanas.

Bragança Paulista, 11 de março de 2016.

 

Dom Sérgio Aparecido Colombo

Bispo Diocesano

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